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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Casal de pastores da Assembleia de Deus AD Kairos é indiciado por estuprar meninas e usar religião para manipular vítimas em RR, diz polícia



A polícia identificou 11 vítimas, a maioria meninas de 12 a 17 anos. O pastor e pastora evangélicos da Assembleia de Deus AD Kairos, foi indiciado por uma série de crimes sexuais contra menores de idade. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que irão analisar o caso e as medidas solicitadas pela Polícia Civil.

Um casal de pastores evangélicos, Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, está sendo investigado pela Polícia Civil de Roraima sob a suspeita de abusar sexualmente de pelo menos seis adolescentes com idades entre 12 e 17 anos. De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), os suspeitos utilizavam seus cargos de liderança religiosa e passagens bíblicas distorcidas para manipular psicologicamente as vítimas, convencendo-as de que os atos tinham finalidades espirituais. Para garantir o silêncio das jovens, o casal também oferecia dinheiro, transferências via Pix e jantares.

Após o início da investigação, segundo a polícia os pastores abandonaram o prédio onde funcionava a congregação, o imóvel foi deixado sem a devolução das chaves e com dívidas acumuladas de aluguel, IPTU, água e energia.

O caso começou a ser apurado em abril de 2026, após a denúncia de uma adolescente de 14 anos, o que encorajou outras cinco vítimas a relatarem abusos semelhantes. A delegada responsável, Kamilla Basto, classificou o caso como altamente complexo devido ao nível de dissimulação dos investigados, que usavam a fé e o ambiente religioso como ferramentas de dominação. Além disso, as regras internas da própria igreja, que previam o desligamento de membros por “rebeldia” ou dissidência, eram usadas para desencorajar qualquer tipo de denúncia por parte das vítimas ou de seus familiares.

Wenderson de Souza foi indiciado por seis crimes, incluindo estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual, registro não autorizado de intimidade, falsidade ideológica e fraude processual. Arielly de Souza responde por estupro de vulnerável, importunidade sexual e fraude processual. A polícia também identificou que o pastor tentou destruir provas ao ordenar que uma jovem de 20 anos se desfizesse de seu aparelho celular com a ajuda de uma das adolescentes, o que resultou no indiciamento dessa terceira pessoa por corrupção de menores e fraude. Até o momento, a defesa dos pastores investigados não se pronunciou sobre as acusações.

Fonte: folhaboavista

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